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Geórgia Mercadante – Foto Yury Oliveira.jpg |
A conectividade no Brasil entrou em uma fase em que rede, equipamentos e investimento já não bastam para sustentar o avanço da infraestrutura digital. Com a fibra óptica respondendo por mais de 80% dos acessos de banda larga fixa no país, segundo dados da Anatel referentes ao segundo trimestre de 2026, cresce também a necessidade de profissionais capazes de instalar, reparar e manter a estrutura que chega a casas, empresas e cidades.
Essa demanda acompanha a transformação da internet em serviço essencial para residências, negócios e operações públicas. Estudo também divulgado pela Anatel mostra que o setor de Telecomunicações chegou a 284.558 empregos formais em 2025. No recorte de banda larga fixa, diretamente ligado ao avanço das redes de fibra, o número de postos passou de 96.219, em 2021, para 132.612, em 2025.
Embora os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) não isolem o setor de telecomunicações, eles ajudam a dimensionar o ambiente de disputa por trabalhadores no setor de Serviços. O país criou 72.960 empregos com carteira assinada em maio de 2026. De janeiro a maio, foram 767.326 novos postos formais, com destaque para Serviços, que respondeu por 493.917 vagas no período. Em Minas Gerais, o saldo acumulado no ano foi de 87.375 postos.
Diante desse cenário, algumas empresas passaram a buscar alternativas à contratação de profissionais já prontos. Em Minas Gerais, a Valenet, provedora de telecomunicações com sede em Itabira, criou uma jornada de 90 dias voltada a pessoas sem experiência prévia, antes da atuação em campo. A iniciativa amplia uma estrutura que já inclui um Centro de Treinamento próprio para diferentes áreas da companhia.
Na Valenet, a maior dificuldade está nas funções técnicas de campo, como instaladores, reparadores e técnicos de redes ópticas. Nas áreas administrativas, segundo a empresa, o desafio aparece de outra forma, mais relacionado a competências comportamentais. A preparação interna passou a reduzir a dependência de um mercado disputado.
“Encontrar profissionais qualificados não tem sido uma tarefa fácil, e essa realidade não é exclusiva de Belo Horizonte ou de Minas Gerais. Conversando com colegas de outras operadoras, percebemos que a dificuldade é generalizada. Por isso, formar internamente deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ser uma necessidade estratégica para sustentar a expansão”, afirma Geórgia Mercadante, diretora de CX e RH da Valenet.
O percurso combina conteúdos conceituais em sala de aula e atividades práticas. Realizada no Centro de Treinamento da empresa, a jornada reúne conhecimentos de rede óptica, equipamentos, manejo de fibra, CDAs e ferramentas utilizadas na rotina de campo. Também inclui segurança do trabalho, práticas de condução de veículos e cuidados em ambientes com cabos de energia.
A relação com o consumidor é outro eixo do treinamento. Comunicação, empatia, escuta ativa, resiliência e manejo de situações de conflito fazem parte do conteúdo. Uma das estruturas utilizadas é a Casa do Cliente, ambiente simulado dentro do Centro de Treinamento que reproduz situações encontradas durante uma instalação ou atendimento residencial.
O exercício considera desde a organização do local de trabalho e a apresentação do técnico até a comunicação durante a visita. Procedimentos como limpar o calçado antes de entrar na residência e deixar o ambiente organizado ao final do serviço também fazem parte da rotina ensinada.
“O treinamento interno não serve apenas para ensinar a parte técnica. Precisamos preparar o profissional para executar o trabalho com segurança, seguir a metodologia da empresa e, ao mesmo tempo, entender que ele representa a Valenet diante do cliente”, explica Geórgia.
A escala da operação ajuda a explicar a aposta. Fundada em 1998, em Itabira, a Valenet atende mais de 160 localidades em Minas Gerais, possui mais de 20 mil quilômetros de rede própria de fibra óptica e ultrapassou a marca de 216 mil clientes, incluindo mais de 7 mil corporativos. Desde 2017, segundo a companhia, cresce pelo menos 20% ao ano e mantém investimentos superiores a R$ 100 milhões anuais. Para 2026, a projeção é alcançar faturamento de R$ 450 milhões.
A política de desenvolvimento profissional também abre caminhos de crescimento dentro da companhia. A Valenet cita como exemplo o atual diretor de Engenharia e Redes, que iniciou sua trajetória na empresa como estagiário. No segmento técnico, o programa para pessoas sem experiência cria uma porta de entrada para novos trabalhadores no setor de telecomunicações.
“Ao formar profissionais desde a base, conseguimos reduzir a dependência de encontrar pessoas prontas em um mercado disputado e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso de novos talentos ao setor de telecomunicações. É uma estratégia que atende a uma necessidade imediata da operação, mas também cria perspectiva de carreira”, afirma Geórgia.
Em uma operação que combina rede extensa, atendimento residencial e presença em diferentes localidades, a preparação das equipes ajuda a reduzir improvisos em campo e a dar mais previsibilidade à experiência do consumidor. Com a conectividade cada vez mais presente na rotina de casas, empresas e serviços urbanos, a formação de técnicos passa a ser uma condição para manter a rede em funcionamento.
SERVIÇO:
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