Candidato do Missão à Presidência domina sabatina, evita desgastes e ameaça atropelar Caiado na reta final da campanha

Sinto muito, mas Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, se comparado a Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), escapou sem graves lesões da cadeira elétrica do Jornal Nacional. Entre os candidatos da direita, ou da extrema-direita, ele é o mais inteligente, articulado e perigoso. Nem por isso irá para o segundo turno; sua verdadeira aspiração é o terceiro lugar, atropelando Caiado. No segundo turno, Renan não deverá apoiar ninguém. Ele planta hoje para colher no futuro. Afinal, a eleição de 2030 é logo ali e, de certa forma, já começou.
Junto dele, Flávio Bolsonaro (PL), coitadinho, não passa de um velho boneco de ventríloquo, cansado de ser acionado pelo pai. Se for derrotado por Lula daqui a exatos 38 dias, nem voz terá, uma vez que ficará sem mandato. Triste, não? Pois é.
Nos 40 minutos de entrevista, Renan foi o senhor da situação, enquanto os jornalistas que o entrevistaram foram meros coadjuvantes. César Tralli e Renata Vasconcellos perguntaram tudo o que quiseram. Renan não fugiu a nenhuma indagação, mas administrou ao seu gosto a passagem do tempo, ora se alongando nas respostas quando se sentia confortável, ora resumindo-as. Não houve momentos de tensão.
“No futuro, se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, vai precisar ter soberania. Soberania sobre seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir [a construção] de bombas atômicas”, disse ele em resposta à primeira pergunta. Os entrevistadores contraperguntaram várias vezes, insistindo no assunto. Renan não se intimidou e seguiu em frente.
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Sobre seu plano para combater a insegurança pública, explicou em linguagem simples, mirando o espectador: “O que eu defendo é a declaração de uma guerra contra o crime organizado. É a aceitação de uma realidade que já é verdadeira para os brasileiros. Precisamos de uma guerra contra eles, esse é o primeiro ponto”. E emendou: “Eu acho que o sangue que tem que jorrar não é o do inocente, é o do bandido. Banho de sangue é a única coisa que eu posso fazer em resposta a uma pessoa que está com uma arma apontada para outra”.
Ao contrário de Caiado, que se queixou de estar sentado diante de “uma banca de examinadores”, Renan não reclamou de nada. Até agradeceu pelas perguntas que pareceram embaraçosas. Enquanto Caiado e Zema foram vagos ao dissertar sobre temas econômicos, Renan limitou-se a repetir o discurso que soa tão bem aos ouvidos da Avenida Faria Lima, sede das maiores fortunas do país.
O entrevistado desta noite no JN será Lula. O de amanhã, Flávio.
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