Transformações profundas na reforma tributária provocam revisão geral nas empresas
As empresas brasileiras estão em meio a uma ampla reestruturação diante da Reforma Tributária, que prevê mudanças não apenas nas alíquotas, mas em toda a operação comercial. De acordo com a pesquisa “Tax do Amanhã”, da consultoria Deloitte, 89% das 148 organizações consultadas já estudaram os impactos da nova legislação, com 86% mantendo algum grau de automação nas operações fiscais.
A pesquisa, apresentada em 1º de outubro, revela que o principal desafio enfrentado pelas empresas é a convivência entre o antigo e o novo sistema durante a transição. A maior preocupação é a capacidade de converter o conhecimento das novas regras em ações práticas, como preços, localização de centros de distribuição e a definição de fornecedores competitivos.
Caroline Verginelli, sócia da Deloitte, enfatiza que a reforma vai além da simples mudança tributária. É fundamental que todos os departamentos, desde vendas até logística, estejam envolvidos na implementação. O fim gradual dos incentivos fiscais pode implicar em redesenhos logísticos significativos e impactar o planejamento de investimentos.

Crédito: “Deloitte”
O levantamento também indicou que 57% das empresas que recebem incentivos fiscais consideram mudar sua localização geográfica ou ajustar suas cadeias de suprimentos. O sócio líder de Consultoria Tributária da Deloitte, Luiz Rezende, destaca que a interação entre planejamento tributário e estratégia empresarial se torna cada vez mais essencial.
Formação de preços sob nova perspectiva
Um aspecto crucial da reforma é sua influência na formação de preços. Dos entrevistados, 51% projetam aumento da carga tributária, 19% não preveem alterações significativas e 14% ainda não avaliaram o impacto. O advogado Daniel Loria alerta para o risco de algumas empresas adotarem cálculos excessivamente conservadores, o que pode inflacionar os preços. Ele defende que a metodologia correta deve considerar a extração da carga tributária antiga antes de aplicar a nova.
Rezende informou que a Deloitte se aproxima de 400 estudos ligados à reforma e identificou uma discrepância entre as simulações técnicas e as decisões comerciais, demonstrando que a reforma influenciará diretamente a dinâmica competitiva do mercado.
Desafios no capital de giro
Outro desafio crítico é a preocupação com o capital de giro, pois a migração para a CBS poderá afetar o fluxo de caixa. As empresas poderão utilizar créditos do PIS e COFINS para cobrir novos débitos, mas a lentidão na autorização desses créditos pode gerar pressões financeiras. Rezende exemplifica que, caso uma empresa precise retirar R$ 20 do caixa devido a atrasos na liberação dos créditos, a situação pode se tornar insustentável poucos meses depois da adoção da nova norma, especialmente em um ciclo financeiro desafiador.
Investimentos em tecnologia se intensificam
Diante das exigências da reforma, 72% das empresas aumentaram seus investimentos em tecnologia. A pesquisa mostra que 36% utilizam inteligência artificial nas áreas tributárias. Entretanto, a informatização requer capacitação qualificada; 67% das empresas relataram necessidade de treinamento em novas tecnologias, mas 90% encontraram dificuldades em recrutar profissionais competentes. A implementação da reforma não é um tema restrito ao departamento tributário, mas afeta diversas áreas que devem entender as novas dinâmicas econômicas.