Resumo: As ações da Novartis caíram mais de 3% após o insucesso do novo medicamento para colesterol, pelacarsen, em um estudo importante. O revés aumenta a pressão sobre futuros lançamentos, incluindo terapias para doenças musculares. O investimento no desenvolvimento de alternativas para a lipoproteína (a) também está em foco, com concorrentes como Amgen e Eli Lilly avançando em seus estudos.
LONDRES – Esta segunda-feira trouxe desafios para a Novartis, com suas ações caindo mais de 3% após o novo medicamento para colesterol, pelacarsen, falhar em um estudo crucial. O resultado é um golpe para a farmacêutica suíça, que via o tratamento como um potencial grande sucesso. Este contratempo eleva a pressão sobre os próximos resultados de outras terapias, incluindo uma para a atrofia muscular adquirida, adquirida por meio da compra da Avidity por US$12 bilhões.
Os investidores enxergavam no pelacarsen, junto com o anti-inflamatório remibrutinibe e a terapia de RNA del-desiran, oportunidades de crescimento, especialmente com a proximidade do vencimento das patentes de medicamentos consagrados, como o cardíaco Entresto.
Neste cenário, o setor farmacêutico enfrenta incertezas na luta contra a lipoproteína (a), ou Lp(a), um fator hereditário de risco cardiovascular, para o qual, até o momento, não há tratamentos aprovados. Além da Novartis, a Amgen e a Eli Lilly estão realizando ensaios clínicos em fase avançada com seus medicamentos experimentais, o olpasiran e o lepodisiran.

Na sexta-feira, a Novartis confirmou que o pelacarsen não foi capaz de reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames em um estudo de grande escala com pacientes que apresentavam altos níveis de Lp(a). As expectativas de vendas anuais para o medicamento chegavam a entre US$3 bilhões e US$6 bilhões, caso os resultados tivessem sido positivos.
Grandes expectativas
De agora em diante, as atenções se voltam para o del-desiran, cuja análise será divulgada no quarto trimestre. Este medicamento, que visa uma doença muscular rara, foi adquirido pela Novartis na compra da Avidity e, de acordo com analistas do Barclays, seu sucesso será essencial para justificar o investimento elevado.
Ainda neste ano, também se aguardam os resultados de outro estudo do remibrutinibe, focado em pacientes com hidradenite supurativa. O medicamento já havia mostrado eficácia em um ensaio clínico recente envolvendo esclerose múltipla.
Analistas da Jefferies destacaram que o êxito recente do remibrutinibe na esclerose múltipla pode ajudar a minimizar as reações do mercado em relação ao resultado do pelacarsen. Até o fechamento da sexta-feira, as ações da Novartis acumulavam uma alta de cerca de 20% neste ano, balançadas pelo otimismo em torno de seu pipeline. Contudo, analistas do Barclays agora veem o segundo medicamento, o DII235, como pouco promissor para oferecer benefícios significativos.


