O projeto “Presságio”, do artista visual Marcelo Vaz, oferece uma visão única sobre a relação do sertanejo com a chuva. A exposição, que acontece no Museu de Arte da Bahia (MAB) até 23 de agosto, apresenta 26 fotografias que capturam o sertão de Macaúbas, revelando sentimentos e tradições locais. Com entrada gratuita, a mostra combina imagens documentais e uma instalação interativa que convida o público a olhar através das “janelas” da vida sertaneja.
Guiada pela premissa de que “tempo bonito no sertão é com o céu fechado de nuvens carregadas”, a mostra abrange desde o anseio por chuvas até a celebração de transbordamentos. As fotos, em tamanho 90x60cm, apresentam nuvens e solos áridos, refletindo a cultura e a fé da região.
Cenário imersivo e sensível
Para enriquecer ainda mais a experiência, a curadoria de Helen Salomão criou uma atmosfera onde grandes nuvens suspensas no teto envolvem os visitantes, formando um céu artificial. “As nuvens incentivam a apreciação do que é comum, refletindo o valor das bênçãos que a chuva traz”, ressalta Helen, destacando a conexão entre natureza e espiritualidade que permeia o trabalho de Vaz.
Além das fotografias tradicionais, a exposição apresenta trabalhos em cianotipia, que permitem que o público toque e interaja com as obras. Essa técnica artesanal transforma imagens digitais em negativos com um tom azulado, enriquecendo a experiencia sensorial. As obras são impressas em papel vergê e estão disponíveis para compra.
A trajetória de Marcelo Vaz
Natural de 1983, Vaz sempre teve uma ligação especial com a fotografia, influenciado por álbuns de família. Após uma breve carreira nos Correios e estudos em administração, ele voltou sua atenção à fotografia em 2015. Desde então, tem se dedicado a registrar paisagens, astrofotografia e ornitologia, catalogando mais de 140 espécies de aves.
“Macaúbas é minha origem e tudo o que eu fotografo é uma extensão da minha herança afetiva”, diz Vaz, refletindo sobre como suas experiências moldaram seu olhar artístico.
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