Salvador registra preocupantes índices de consumo de álcool entre adolescentes
Salvador se tornou vice-campeã brasileira em consumo abusivo de álcool entre adolescentes de 13 a 17 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo IBGE. O levantamento revela que 46,5% dos jovens da capital baiana relataram já ter se embriagado ao menos uma vez, posicionando-a atrás apenas de Florianópolis.
Em comparação com os municípios do interior da Bahia, 14,5% dos adolescentes também relataram episódios de embriaguez nas quatro semanas que antecederam a pesquisa, com quatro ou mais doses em uma única ocasião.
Embora os dados mostrem uma leve queda na experiência de consumo entre 2019 e 2024, de 60,6% para 51,6% em Salvador, essa redução não ameniza a gravidade da situação. A cidade passou da 8ª para a 4ª posição nesse critério, mas continua muito acima da média nacional.
A socióloga Mariana Thibes, do Cisa, destaca em relato ao jornal d’A TARDE que existe uma naturalização cultural do consumo de álcool entre menores, frequentemente glorificado em festas, rituais familiares e na publicidade. “O álcool é uma droga lícita e socialmente aceita, o que contribui para a subestimação de seus riscos”, alerta Thibes.
O consumo abusivo entre adolescentes pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, que se completa por volta dos 23 anos, comprometendo memória, aprendizado e saúde mental. Além disso, há um aumento nos riscos de cirrose, hepatite e morte precoce, conforme ressaltam especialistas do Cetad/Ufba.
Diante desses indicadores alarmantes, é fundamental que a sociedade reavalie sua relação com o consumo de bebidas alcoólicas, que frequentemente é visto como normal durante a puberdade.