Dezesseis mulheres foram mortas no DF em 2026 pela condição de gênero. Casos já somam 57,1% dos crimes de 2025

Em um preocupante cenário, o Distrito Federal registrou 16 feminicídios de janeiro a agosto de 2026, o que representa um aumento significativo em relação ao ano anterior. A soma já equivale a 57,1% dos 28 casos de feminicídio reportados em 2025. Além disso, nesse mesmo período, outras 68 mulheres sofreram tentativas de feminicídio.
Dentre os casos consumados neste ano, houve um aumento em comparação ao ano passado, mas um decréscimo em relação ao total de 2025. O número de tentativas de feminicídio também se mostra alarmante, apesar de uma leve redução em comparação aos anos anteriores.
Violência precisa ser combatida antes do feminicídio
O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Rabelo Patury, destacando a importância de prevenir a violência antes que se transforme em feminicídio, enfatizou que a prioridade das forças de segurança é evitar que crimes ocorram. “A gente quer que o crime não aconteça”, afirmou.
Patury explicou que os protocolos de segurança adotam critérios de proteção à vítima, permitindo que casos sejam inicialmente registrados como tentativas de feminicídio quando há dúvida sobre a intenção do agressor. “Na prática, quando uma mulher sofre uma agressão grave, o caso pode ser classificado como tentativa de feminicídio e reavaliado conforme a investigação avança”, esclareceu.
Esse critério para registrada tentativas pode ter gerado o aumento observado, não necessariamente indicando um crescimento da violência. “O feminicídio é o ato final; a violência costuma dar sinais antes disso”, enfatizou o secretário.
A denúncia é fundamental. Patury recomenda que familiares e amigos também acionem a polícia em casos de violência, sublinhando a necessidade de ação proativa na prevenção.
Relembre feminicídios que chocaram o DF em 2026
- Janaína Rodrigues da Silva, 45 anos — Encontrada nua, com sinais de facadas e carbonizada em uma fogueira em Sobradinho II, o crime ocorreu na madrugada de 10 de setembro. Autoria ainda não identificada.
- Flávia Gomes da Silva, 35 anos — Morta a facadas pelo companheiro em 7 de setembro, em Itapoã. O suspeito ficou detido logo após o crime.
- Hildene Rodrigues da Silva, 37 anos — Esfaqueada em 13 de agosto em Ceilândia Norte, não resistiu aos ferimentos.
- Dileusa Almeida Durães, 46 anos — Morta na madrugada de 20 de junho em Recanto das Emas após uma tentativa de separação.
- Cláudia da Silva Nascimento, 50 anos — Morta pelo marido, que após o crime se suicidou em 16 de maio, em São Sebastião.
- Luana Moreira Marques, 41 anos — Assassinado pelo ex-marido em 9 de março. O crime foi motivado por ciúmes.
- Maria Elenice, 61 anos — Morta pelo filho em 20 de janeiro no Guará II, o autor alegou ter tido um “surto”.
- Bruna Stephanie Freitas Brandão, 36 anos — Assassinada a facadas pelo ex-companheiro em 3 de abril no Riacho Fundo II.
- Jussiara Ferreira dos Santos, 42 anos — Ferida por golpes de arma branca em Samambaia, o ex-companheiro foi preso em flagrante e o caso foi reclassificado como feminicídio após a morte da vítima.