Sumaré, SP: Uma gestante de 36 anos descobriu que ainda estava grávida após receber um diagnóstico incorreto de aborto espontâneo e passar por uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré, em São Paulo. O procedimento foi realizado com o feto ainda vivo, em decorrência de uma falha na avaliação médica inicial, colocando a gestação em situação de alto risco.
A paciente procurou o hospital no dia 12 de julho após experimentar sangramentos. Durante a avaliação, a médica plantonista realizou apenas um exame de toque, determinando a interrupção da gravidez e a realização imediata do procedimento. Um exame de ultrassom, considerado essencial, não foi realizado devido à indisponibilidade do equipamento naquele final de semana.
Sintomas persistentes e diagnóstico correto
Após 14 dias de licença médica, a mulher começou a notar mudanças físicas significativas, como o aumento dos seios, enjoo e crescimento abdominal. Ao retornar ao atendimento particular um mês depois, para métodos contraceptivos, exames de sangue e ultrassonografia revelaram que ela estava com 16 semanas de gravidez, com o feto em desenvolvimento.
A realização da curetagem causou o rompimento da bolsa gestacional e a perda do líquido amniótico, gerando riscos sérios para o bebê e expondo a mãe ao perigo de infecção generalizada. Em função do quadro, a paciente foi acompanhada no Hospital da Mulher da Unicamp e decidiu manter a gravidez.
Sindicância e apuração de conduta
O Hospital Estadual de Sumaré, que é administrado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), confirmou a abertura de uma sindicância interna para investigar a conduta da equipe médica responsável pelo atendimento. Em comunicado oficial, a entidade garantiu suporte à paciente e afirmou que tomará as medidas necessárias caso sejam encontradas irregularidades nos protocolos seguidos durante o atendimento.

