Nepal e Tibete enfrentam devastadoras enchentes, com mais de 500 mortos e desaparecidos
As autoridades do Nepal informaram que as enchentes ocorridas na quarta-feira resultaram na morte de 538 pessoas. No Tibete, cinco mortes foram registradas, e 558 pessoas estão desaparecidas na região, conforme a imprensa estatal chinesa.
Equipes de busca localizaram corpos nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, as áreas mais afetadas. Contudo, a maioria das vítimas foi encontrada em Chitwan, onde o rio Trishuli deságua no Seti Gandaki.
Um vídeo de vigilância mostrou a força da água arrastando um edifício e veículos, com a enxurrada sendo classificada por especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos como um evento sísmico de magnitude 5,2.
A situação alarmante de desaparecidos
O Escritório de Turismo do Nepal revelou que, um dia após o desastre, 823 pessoas estavam sem notícias, incluindo 517 turistas estrangeiros. Entre os desaparecidos, destacam-se cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá.
- 178 da Índia
- 65 dos Estados Unidos
- 53 da Ucrânia
- 51 da Malásia
- 35 da Austrália
- 33 do Reino Unido
- 25 do Canadá
No lado chinês, as autoridades indicaram que 558 pessoas seguem desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros.
Destruição proporcional
Os socorristas enfrentam dificuldades nas áreas afetadas, onde povoados inteiros e centros comerciais foram devastados. David Fisher, diretor da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha no Nepal, destacou a gravidade da situação.
Os Estados Unidos anunciaram a liberação de US$ 500 mil para auxílio. O Exército nepalês tem realizado operações aéreas, resgatando pessoas e emitindo ordens de evacuação para moradores vulneráveis.
A ameaça de novas inundações
Especialistas advertiram que a crise pode não ter fim. Um bloqueio no curso de um rio entre Nepal e China poderia provocar novas inundações. Qianggong Zhang, do ICIMOD, afirmou que as autoridades devem estar preparadas para possíveis novos episódios de inundação.
Investigações estão em andamento para determinar a origem exata da enxurrada. Antes do desastre, havia indícios de uma possível avalanche de gelo que poderia ter contribuído para o aumento significativo de água nos rios da região.
Impacto no Tibete
A torrente também provocou danos no porto tibetano de Gyirong, com imagens aéreas mostrando edifícios cobertos por lama. O presidente chinês, Xi Jinping, mobilizou equipes de resgate para a área, enfatizando a urgência em localizar os desaparecidos.
Em comunicado, o Dalai Lama expressou suas condolências e pediu ajuda às vítimas.
Como já acontece anualmente, as chuvas de monção entre junho e setembro aumentam a ocorrência de enchentes e deslizamentos, fenômenos que têm se intensificado devido às mudanças climáticas.


