Mortes em corridas chamam atenção para cuidados com a saúde na prática esportiva. Especialistas alertam que risco é maior para sedentários
Resumo: um atleta de 50 anos morreu logo após a SP City Marathon, trazendo à tona a discussão sobre saúde na prática esportiva. Especialistas destacam que corredores saudáveis ainda enfrentam riscos, principalmente quem leva o sedentarismo para a atividade física. A corrida continua sendo instrumento de saúde, desde que com avaliação adequada e progressive training.
O corredor Júlio Barreto, de 50 anos, faleceu logo após completar os 21 km da prova. Apesar de manter vida ativa e fazer exames rotineiros, o caso evidencia que a morte súbita ligada ao exercício pode ocorrer mesmo entre pessoas que parecem estar em boa forma. O alerta principal é claro: indivíduos sedentários têm maior propensão a apresentar problemas cardíacos durante o esforço.
A médica Ana Paula Simões, representante da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), aponta que a causa mais comum é a doença arterial coronariana, com acúmulo de placas que entupem as artérias do coração. Muitas vezes essa condição evolui sem sintomas, não aparece em exames de sangue ou no eletrocardiograma de repouso, tornando o caso de Júlio ainda mais perplexo, segundo a especialista.
“E essa doença pode evoluir de forma silenciosa por anos, sem sintoma algum, sem alterar exames de sangue e sem aparecer num eletrocardiograma de repouso normal. É exatamente o que parece ter ocorrido no caso do Júlio: exames de rotina em dia, mas uma aterosclerose coronariana severa por trás, que só a biópsia revelou”, afirma.
Andrey Jorge Serra, professor da Escola Paulista de Medicina, reforça que não há como ter 100% de certeza de risco zero, mesmo com exames. Ainda assim, ele lembra que os casos são relativamente raros, estimados em até 2 por 100 mil praticantes, o que não desvaloriza a importância de manter a prática esportiva como/componentes da saúde cardiovascular.
Segundo Serra, as provas de longa distância têm peculiaridades: o retorno do corpo à normalidade, após o esforço intenso, pode desencadear distúrbios. Durante a corrida, o corpo prioriza o músculo, reduz o fluxo para outros órgãos e aumenta a demanda cardíaca; ao término, essa adaptação pode se inverter de forma abrupta, potencializando riscos.
A escalada de praticantes, especialmente no período pós-pandêmico, ampliou o número de eventos: deverão ser mais de 200 corridas apenas em 2026. A visibilidade dessas ocorrências cresce, mas, segundo especialistas, não deve desencorajar a prática: a corrida continua sendo um dos esportes mais indicados para saúde cardiovascular — desde que feita com orientação adequada.
O recado é claro: o risco aumenta com o sedentarismo, não com a prática em si. Quem não tem experiência deve começar aos poucos, respeitando os sinais do corpo. A prevenção passa por acompanhamento médico, checkups básicos e progressão gradual das atividades, sem exigir marcas ou metas impossíveis.
“O sedentarismo é, isoladamente, um dos principais fatores de risco cardiovascular que existem. Usar a morte de um corredor para justificar não se exercitar é como trocar um risco raro e monitorado por um risco maior e silencioso.”
A mensagem dos especialistas é fortalecida pela ideia de que atividade física, com orientação, melhora qualidade de vida, flexibilidade, memória e função cardíaca. Ainda assim, não basta buscar resultados rápidos; é essencial ouvir o corpo, buscar avaliação clínica básica e evitar comparações com atalhos de redes sociais.
Cuidados também passam por hábitos saudáveis fora da academia. Histórias como a da chef Kamili Piccoli, que adota dieta vegana e mantém acompanhamento médico regular, reforçam a prevenção como parte de um estilo de vida voltado à saúde, não apenas à aparência.







Para saber mais, leia os sinais de alerta que devem acionar a busca imediata por ajuda médica durante atividades físicas. Dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura intensa, palpitações, suor frio, náusea, palidez ou confusão mental demandam atendimento imediato.
A orientação prática é simples: comece devagar, aumente a intensidade gradualmente e mantenha acompanhamento médico quando possível. Mesmo com limitações de acesso, uma conversa clínica básica e uma avaliação física podem abrir caminho para uma prática segura e sustentável.
Se você busca motivação para começar, pense na saúde a longo prazo. Atividade física bem orientada reduz risco de doença cardiovascular, melhora memória, ossos e qualidade de vida, beneficiando não apenas o atleta, mas a sociedade como um todo.
Convido você a compartilhar suas dúvidas, experiências ou dicas nos comentários. Como você tem ajustado sua prática de exercícios para ficar mais saudável sem se colocar em risco? Comente abaixo.