Resumo: o veto da União Europeia à carne brasileira entra em vigor em 3 de setembro e pode pressionar os preços no Brasil. Ao mesmo tempo, a China impõe uma cota de importação com sobretaxa sobre o excedente, aumentando a incerteza para frigoríficos e produtores. Juntas, as medidas prometem redesenhar a oferta externa e influenciar o bolso do consumidor.
A decisão da UE decorre de alegadas falhas no controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva. O bloco retirou o Brasil da relação de fornecedores autorizados para determinados produtos de origem animal. A União Europeia responde por cerca de 3,7% das exportações brasileiras do setor, com 128,9 mil toneladas de carne bovina enviadas ao continente no ano passado.
Na China, a cota anual de importação para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com uma sobretaxa de 55% sobre o volume que exceder o limite. Até a última atualização, cerca de 80% do total já havia sido utilizado. A medida tende a restringir ainda mais o espaço de crescimento das exportações brasileiras para o principal importador externo.
No lado da oferta e da demanda, menos compradores internacionais podem levar frigoríficos a reduzir o ritmo de produção para evitar excesso de estoque e margens apertadas. A expectativa é de ajustes que, no curto prazo, mantenham pressão sobre os preços e, no médio prazo, possam elevá-los conforme a produção se retrai. O presidente da Abiec, Roberto Perosa, aponta que os preços devem subir em dois meses, próximo às eleições, com impactos potenciais na inflação de alimentos, já que o indicador ficou em 1,33% em junho.
Além disso, as negociações entre Mercosul e UE e as incertezas sobre a demanda chinesa vão moldar os passos do setor nos próximos meses. Apesar dos obstáculos, o Brasil continua exportando para mais de 170 países, apoiado por um sistema de inspeção e defesa agropecuária considerado entre os mais robustos do mundo.
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