As novas normas para os voos no Campo de Marte, em São Paulo, têm gerado preocupações no setor imobiliário da capital e nas cidades vizinhas. A partir de 15 de setembro, a operação dos voos será realizada por instrumentos, resultando em restrições de altura em uma área de 20 quilômetros ao redor do aeroporto. Essa medida foi estabelecida em abril, permitindo construções acima de 45 metros apenas com autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Anteriormente, apenas construções em um raio de 2,5 quilômetros necessitavam desse tipo de autorização. Com as novas diretrizes, o impacto se estendeu consideravelmente; as áreas restringidas aumentaram de 2,98% para 52,7% da cidade, afetando locais importantes para o crescimento urbano e a oferta habitacional. O total de áreas sob limitações devido a aeroportos na cidade subiu de 64% para 71% do território municipal, o que gera preocupações sobre o desenvolvimento de novos empreendimentos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, a restrição afetará não apenas o setor de imóveis, mas também hospitais, universidades e outras infraestruturas essenciais. Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, questiona a necessidade de severas limitações em relação ao número reduzido de voos diários no Campo de Marte.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) alertou que as novas regras podem acarretar custos adicionais de até R$ 2,7 bilhões anualmente para o setor. Em nota, a Abrainc defendeu o diálogo para encontrar uma solução que garanta a segurança do espaço aéreo sem comprometer o desenvolvimento urbano da capital.
Aumento nos pedidos e análise estável
Em relação ao aumento nas solicitações para aprovação de novos projetos, o Decea reportou um crescimento de 48% nas requisições após a mudança nas regras. Entre julho de 2025 e dezembro do mesmo ano, foram feitos 6.399 pedidos. Já entre dezembro de 2025 e junho de 2026, o número subiu para 8.187. Apesar do aumento, o número de aprovações imediatas se manteve similar entre os períodos.
A Pax Aeroportos, concessionária do Campo de Marte, argumenta que a implementação do voo por instrumentos (IFR) não inviabiliza o desenvolvimento urbano, destacando que as taxas de processos técnicos permanecem constantes. A mudança, que passa a valer após a modernização do sistema, limita inicialmente os voos IFR a um horário reduzido, com um número restrito de pousos e decolagens.
A diretora executiva da GPC Assessoria Aeroportuária, Mônica Marcondes de Castilho, relatou que a necessidade de autorização aumentou significativamente. Projetos que anteriormente não requeriam aprovação agora necessitam passar por um processo que pode levar até 60 dias. Isso tem gerado uma demanda maior por serviços de assessoria na adequação das construções às novas normas.
Apesar das dificuldades impostas, Mônica ressaltou que a PAX também está trabalhando para permitir que certos projetos continuem a ser viáveis mesmo que excedam a altura permitida, utilizando o princípio de sombra, que considera a interferência na operação aérea existente.


