O Brasil avança na adoção da inteligência artificial (IA), mas enfrenta desafios na escalabilidade de sua aplicação. Uma pesquisa da Deloitte revela que 42% das empresas brasileiras utilizam IA para promover mudanças estruturais, superando a média global de 34%. Contudo, apenas 23% das empresas implementaram com sucesso 40% ou mais de seus projetos-piloto de IA.
Este cenário evidencia que o problema não são os testes em IA, mas a transição dessas iniciativas para operações efetivas e rentáveis. Segundo a pesquisa, 30% das empresas brasileiras estão redesenhando processos críticos com a IA, embora apenas 22% relatam aumento de receita diretamente associado à tecnologia.

A discrepância entre expectativa e resultado representa uma oportunidade significativa para os negócios.
Da ferramenta ao processo
Os chamados high performers não se limitam a ganhos de eficiência. Eles buscam crescimento e inovação, redesenhando fluxos de trabalho para aproveitarem totalmente a tecnologia. Essa abordagem pode não só reduzir custos, mas também transformar a operação de equipes.
A pesquisa da Deloitte demonstra que 30% das empresas estão focadas em um uso mais profundo da IA, enquanto outras 27% utilizam a tecnologia de maneira superficial.
O trabalhador já mudou. A empresa, nem sempre
Outro estudo, o Work Trend Index 2026 da Microsoft, indica que dois terços dos trabalhadores acreditam que a tecnologia permite que eles se dediquem a atividades mais valiosas. No entanto, somente 26% afirmam que a liderança de suas empresas está alinhada quanto ao uso de IA.
Aqui, joga-se uma questão crítica: enquanto os funcionários podem rapidamente adotar ferramentas de IA, as empresas precisam estabelecer processos que integrem a automação às suas operações.
Éric Machado, CEO da Revna Tecnologia, destaca que a implementação de IA envolve uma série de decisões organizacionais que vão além da adoção individual: “Uma empresa precisa integrar dados, revisar processos e definir responsabilidades clara e rigorosamente.”
Quanto mais autonomia, maior a responsabilidade
A chegada de sistemas de IA agêntica complica ainda mais o cenário, conforme a Deloitte estima que 95% das organizações brasileiras planejam adotar esta tecnologia nos próximos dois anos, embora apenas 27% tenham governança robusta para seus modelos.
A autonomia dos sistemas avança mais rápido do que as diretrizes de governança.
Questões emergem, como: quem autorizou um sistema a agir? Quem monitora seus resultados? No setor financeiro, as regras existentes, como a Resolução CVM 19, enfatizam que a responsabilidade dos consultores não se extingue com o uso crescente de tecnologia.
A próxima vantagem competitiva
A fase de experimentação das ferramentas de IA está se esgotando, dando lugar a uma nova realidade. O future diferencial competitivo dependerá da capacidade das empresas em escalar inovações eficientes e adaptar processos para otimizar o uso da IA.
As consultas da McKinsey, Deloitte e Microsoft convergem: o acesso à tecnologia não é mais suficiente. O verdadeiro desafio será combinar IA com processos operacionais, pessoas e governança eficaz. A pergunta essencial agora é: “O que a IA pode fazer e quem será responsabilizado pelos resultados?”


