Shein vê queda de 10% em suas ações na estreia na bolsa de Hong Kong

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Shein estreia na Bolsa de Hong Kong com queda de até 10%

As ações da Shein despencaram até 10% em sua estreia na Bolsa de Hong Kong, após um processo de anos para realizar uma oferta pública inicial (IPO) que avaliou a empresa em um valor significativamente inferior ao seu pico de mercado. Esse desempenho fraco gerou dúvidas entre investidores sobre a valorização da empresa, que é um grande player no setor de moda.

Os papéis da Shein, que começaram a ser negociados a HK$ 48,56, chegaram a ser cotados a HK$ 43,72 nas primeiras horas. O volume de vendas foi elevado, com as ofertas de venda superando as de compra por três vezes, o que acentuou a pressão sobre os preços no início do pregão.

O IPO levantou HK$ 13,6 bilhões (cerca de US$ 1,7 bilhão), conferindo à companhia uma avaliação ligeiramente acima de US$ 26 bilhões. Apesar disso, a cifra ainda fica abaixo dos aproximadamente US$ 30 bilhões da varejista H&M.

A listagem representa um teste para o apetite dos investidores por varejistas digitais, um setor que vem enfrentando desafios devido à inflação e à cautela dos consumidores, especialmente na China. Essa estreia fornece uma nova referência para a avaliação de empresas de comércio eletrônico, após anos de revisão regulatória e uma mudança no interesse dos investidores por empresas de inteligência artificial.

Desde o auge de sua avaliação, a Shein enfrentou dificuldades como tarifas mais altas e maior concorrência, principalmente da PDD, que opera a Temu, e do Alibaba. O IPO avaliou a empresa em mais de 15 vezes o lucro projetado, um índice elevado em comparação aos 7,4 vezes atribuídos à PDD e aos 10,7 vezes do índice Hang Seng de Hong Kong.

“Os investidores estão mais interessados em empresas de tecnologia e inteligência artificial do que numa companhia tradicional de comércio eletrônico como a Shein”, afirmou Shen Meng, diretor do banco de investimentos Chanson & Co. “O aumento dos custos devido às tensões comerciais e o crescimento menos expressivo do que o da concorrência pode manter sua avaliação em baixa.”

As dificuldades da Shein no seu primeiro dia de negociações se encaixam em uma tendência de desempenho aquém do esperado por grandes empresas que abriram capital em Hong Kong. Embora as novas ações na cidade tenham, em média, alta de 29% na primeira sessão, a varejista é a terceira a iniciar negociações em queda após levantar mais de US$ 1 bilhão.

A empresa, fundada na China e com sede atual em Cingapura, democratizou o fast fashion através de uma eficiente cadeia de suprimentos que permite o envio ágil de roupas ao consumidor. A estrutura da Shein prosperou durante a pandemia, atingindo uma avaliação de quase US$ 100 bilhões em 2022, mas as tentativas de abrir capital na época falharam devido a obstáculos regulatórios.

A um múltiplo de 15 vezes sobre o lucro, a ação já reflete expectativas de recuperação que ainda não foram comprovadas, disse Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. “O interesse dos investidores deve ser cauteloso até que a administração prove a eficácia do novo modelo de negócios.”

Diversos investidores-âncora, como Boyu Capital, Tiger Global Management e Tencent, apoiaram a Shein no IPO, e se comprometerão a não vender suas ações por seis meses, criando um sinal de confiança na empresa.

A demanda pela parte do IPO destinada ao varejo superou em 5,6 vezes o número de ações disponíveis. A companhia planeja utilizar os recursos do IPO para ampliar sua presença no mercado global, aumentar suas capacidades tecnológicas e promover iniciativas de responsabilidade corporativa.

Entretanto, analistas alertam que a venda controlada de ações no IPO pode restringir a capacidade dos investidores de avaliar a empresa imediatamente. “Com um período de bloqueio imposto a investidores pré-IPO, o fim dele, em março de 2027, representará um teste mais significativo para o valor de mercado,” observou Catherine Lim, analista da Bloomberg Intelligence.

A Shein ainda enfrenta desafios de crescimento, enfrentando prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre do ano, comparado ao lucro de US$ 395 milhões em 2022. Mudanças nas políticas comerciais e à pressão regulatória nos Estados Unidos, que investigam a aquisição da Everlane pela Shein, também complicam seu panorama.

Esses desafios regulatórios persistem e podem impactar sua ambição de crescimento no mercado global, à medida que os investidores observam se suas preocupações superam as vantagens competitivas da empresa.

© 2026 Bloomberg L.P.

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