O eco de um crime que assombrou o Brasil em 1997 e a tensão do Palácio do Planalto a 28 dias das eleições

Na madrugada de 20 de abril de 1997, Galdino Jesus dos Santos, um líder indígena da etnia Pataxó Hã-Hã-Hãe, foi atacado enquanto dormia em uma parada de ônibus em Brasília. A pensão que o acolhia se recusou a recebê-lo, o que o levou a buscar abrigo no local. O ataque foi perpetrado por cinco jovens que, após embriagarem-se em uma festa, queimaram o homem com álcool, resultando em sua morte horas depois, um crime que chocou a nação.
O episódio desencadeou uma onda de indignação e fez com que a popularidade do então presidente Fernando Henrique Cardoso despencasse de 50% para 33% em poucos dias. O governo federal foi confrontado com o sentimento de culpa acerca do trágico episódio, refletido nas palavras do próprio presidente: “Por que tudo de ruim cai no colo do governo federal?”
Com o tempo, Fernando Henrique recuperou sua popularidade, especialmente após receber a família de Galdino e abordar o crime em diversas entrevistas. No entanto, a história se torna relevante novamente, 28 dias antes das eleições deste ano, em um contexto onde o clima no Palácio do Planalto está carregado de incertezas. As expectativas para a nova pesquisa de intenções de voto da Quaest estão em alta e serão divulgadas logo após um comício promovido na Avenida Paulista por Flávio Bolsonaro.
Diferente de 1997, hoje, o presidente Lula enfrenta simultaneamente um cenário desafiador, com sua rejeição e índices de aprovação muito mais críticos em comparação ao seu antecessor. As recentes pesquisas mostram um acirramento na disputa, com Lula e Flávio em um empate técnico e a ascensão de outros candidatos, incluindo Augusto Cury, que promete complicar ainda mais o cenário político.
A crise no STF, que continua a pairar sobre o governo, não tem previsão de resolução, intensificando a tensão à medida que o dia da votação se aproxima. A preocupação com a imagem e a popularidade persegue o atual governo em uma corrida frenética contra o tempo.