Ex-secretário de SP menciona programa sujeito a 80 ações do MPSP em campanha publicitária

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Candidato a deputado federal, Guilherme Piai (Republicanos) usa programa com suspeitas de irregularidades em propaganda eleitoral


Governo do Estado de São Paulo
imagem colorida de um trator amarelho, em um piso gramado verde, ao lado de um toldo do governo sobre o programa Melhor Caminho - Metrópoles

São Paulo – O ex-secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai (Republicanos), mencionou em um vídeo de sua campanha para deputado federal um programa que enfrenta mais de 80 ações civis públicas do Ministério Público de São Paulo (MPSP), devido a suspeitas de irregularidades em contratos de melhorias em estradas rurais.

A postagem, datada de 20 de agosto, mostra Piai sendo “desafiado” a listar suas realizações em 30 segundos. Ele ocupou a secretaria entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, após a exoneração de Antônio Junqueira, que havia sido o primeiro a denunciar as irregularidades no programa.

“Não vai dar tempo, mas vamos tentar. Mais de 5 mil famílias com a escritura na mão, segurança jurídica acabando com as invasões de terra no Pontal, centenas de quilômetros de estradas rurais com o projeto Melhor Caminho, centenas de maquinários, não teve uma cidade da região que não recebeu maquinário pra conservação das estradas”, afirmou o candidato em seu vídeo.

O predecessor de Piai, Antonio Junqueira, juntamente com sua equipe, foi responsável por denunciar indícios de irregularidades em aditivos firmados no final do governo de Rodrigo Garcia.

De acordo com estimativas da própria pasta, o prejuízo aos cofres públicos pode ter alcançado aproximadamente R$ 50 milhões, com 147 inquéritos abertos e mais de 80 ações civis públicas. As investigações visam dois servidores que atuavam na época das assinaturas: Henrique Fraga e Ricardo Lorenzini, além de ações contra o ex-secretário Francisco Maturro.

Conforme a reportagem do Metrópoles, Junqueira deixou a Secretaria de Agricultura sob pressão, após a demissão de servidores encarregados da investigação interna. Piai, que o sucedeu, foi investigado em relação ao desfecho da apuração, a qual continua no MPSP.

A promotoria também decidiu abrir um inquérito de improbidade administrativa contra Maturro. Piai foi incluído na investigação, que se encontra suspensa, devido à exoneração dos servidores que estavam realizando a apuração dos atos ilícitos.

A defesa de Piai afirmou que, ao assumir a secretaria, iniciou a apuração de todos os fatos relacionados ao programa, implementando medidas apropriadas, como a rescisão de contratos com as empresas envolvidas e promovendo a transparência necessária.

Adicionalmente, a defesa destacou que Piai não foi formalmente notificado sobre qualquer citação, reafirmando sua disposição em colaborar com as autoridades para prestar esclarecimentos.


Entenda o caso

  • O MPSP considerou que os aditivos foram realizados sem análise adequada, usando critérios gerais, como a pandemia e o preço do diesel.
  • Os eventos citados ocorreram antes das licitações, sugerindo possíveis manipulações contratuais.
  • Indícios apontam para a cancelamento ilegal de empenhos de outras obras para viabilizar esses pagamentos.
  • A Justiça já concedeu bloqueios de bens contra servidores e empresas envolvidos nas ações.
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