Médium Maira Rocha investigada por suposta fraude em cartas psicografadas

Um inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga Maira Rocha, médium apontada por suas vítimas como responsável por fornecer cartas psicografadas apenas após a coleta de dados sensíveis. Segundo relatos, o prazo para entrega das mensagens variou de 21 a 68 dias, sendo que o menor ocorreu após a inscrição em julho de 2023.
Um grupo de vítimas que compareceu a uma sessão no final de agosto de 2024 destacou comportamentos suspeitos da médium, afirmando que o conteúdo das cartas parecia ter sido retirado de redes sociais.
“Maira Rocha demonstrou um comportamento premeditado ao já apresentar as cartas psicografadas prontas, repletas de detalhes minuciosos que estavam nitidamente alinhados com informações que poderiam ser facilmente obtidas de redes sociais”, diz trecho da denúncia.
Maira Rocha e o Serviço de Psicografia
Maira, fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras, DF, é acusada de forjar mensagens baseadas em informações coletadas em fontes públicas e redes sociais. A investigação realizada pela equipe do Metrópoles revela um esquema que atinge famílias em vulnerabilidade emocional.
Relatos de diversas vítimas apontam que as cartas continham informações erradas e cópias de conteúdos postados nas mídias sociais, incluindo o caso de um homem que encontrou detalhes de sua falecida mãe em mensagens que claramente foram extraídas de suas redes.
Além disso, Maira é acusada de criar nomes e situações que nunca existiram. Quando questionada, a médium se recusou a se manifestar e, em algumas ocasiões, ameaçou processar quem divulgasse acusações contra ela.
Denúncias de famílias afetadas
Muitas famílias que procuraram Maira Rocha para confortar suas perdas afirmaram ter sido enganadas. Uma mulher, por exemplo, narrou que, ao receber mensagens supostamente de seus pais falecidos, começou a notar a semelhança com informações que vazavam em postagens sociais, levando à desconstrução do luto.
“Quando a gente está tomado por uma dor, se apega a qualquer migalha”, lamentou Fábia, outra vítima.
Após perceberem as fraudes, as famílias se mobilizaram e denunciaram Maira à PCDF, buscando responsabilização por possíveis crimes de estelionato e engano emocional.

Crédito: Metrópoles
Relatos de diversas vítimas apontam que Maira produzia cartas que não apenas continham dados incorretos, mas também apresentavam personagens e situações que nunca estavam no ciclo social das pessoas envolvidas.

Após a descoberta das falsas psicografias, muitos parentes se sentem iludidos e traídos, ressaltando a vulnerabilidade das emoções humanas durante o luto e a manipulação que ocorre nesse estado.